19 de outubro de 2017 - Escrito por Jorge Monclar (Diretor de Fotografia e professor na AICTV)

A câmara é a caneta moderna das pessoas. Elas se tornaram acessíveis devido aos vários modelos populares e de baixo custo que os fabricantes botaram no mercado. Hoje em dia quase todo mundo tem uma câmara ou acesso a uma. O meio de transmitir as imagens também tornou-se mais fácil com a internet e as várias médias (tablete, celular e computador caseiro) aumentaram a visibilidade das imagens. Muita gente tem o seu canal, o seu blogue e site. A rede explodiu de tanta gente participando.

 

No mercado profissional do audiovisual milhares de pequenas produtoras independentes surgiram produzindo todo tipo de conteúdo e desenvolvendo novos nichos de mercado. Tem documentarista de surf, Katesurf, skate, mergulho, montain bike, desportos radicais e uma infinidade de coisas que a gente nem imagina.

 

A cobertura de casamentos, eventos e cultos religiosos tornaram-se “mini superproduções” com o uso de maquinaria usada em filmes de ficção (Travelling, gruas e até stadycam… Documentários então tem de todo tipo… Mas olhando a grande parte das imagens eu me pergunto. Esses caras estão sabendo usar suas câmaras?

 

Cruel a minha pergunta? Não! Ela tem até uma certa lógica. Como vocês podem saber das coisas se certos conhecimentos estão armazenados na cabeça de um montão de profissionais que não passam esses conhecimentos adiante. Não há publicações boas em português que divulgue essas informações.

 

Como um cara que já está há muito tempo por ai fazendo câmara para vários tipos de gênero e já fiz milhares de comerciais, videoclipes, documentários, filmes, programas de tv, reportagens… resolvi reunir algumas observações sobre o uso da câmara para vocês que gostam de produzir imagens.

 

Comecemos pela composição de quadro. A imagem depende da dinâmica que damos a ela. E tudo é resolvido com a distribuição do “ar” em quadro. Você segue um sujeito em panorâmica é importante que você deixe no quadro um “ar” (um espaço) no sentido que ele se desloca. Você vai reparar que o seu movimento de câmara vai aumentar a sua dinâmica. Aliás, você pode fazer uma experiência. Observe um carro de Formula 1. Se o câmara segui-lo o tempo todo em um plano fechado não percebemos a velocidade do deslocamento dele. Mas, se o câmara de um “arzinho” a sua frente no quadro a coisa muda de figura.

E isso se repete com uma noiva seguindo para o altar num casamento, com um casal que conversa e caminha ao mesmo tempo num vídeo de ficção, num batalhão de soldados que se deslocam em uma parada que você cobriu para o jornal local e etc…

 

Numa outra situação um sujeito desce uma escada externa de incêndio de um edifício e ele cada momento desce numa direção dos degraus. Se você mantiver o quadro fechado, sem nenhum “ar” diante dele você não sabe para onde ele vai. Além disso, na mudança de direção dos degraus da escada é o momento de mudar a posição do “ar” em quadro, sem que o espectador perceba.

 

O mesmo acontece quando entrevistamos uma pessoa. O operador de câmara deve deixar um pequeno “ar” em quadro na direção do repórter que o entrevista. Isso também acontece em cenas de filmes de ficção com um grupo de pessoas que conversam e fizemos anteriormente um plano aberto, quando situamos as pessoas e em seguida todas as pessoas são vistas em planos fechados (Close Up). Para inter-relacioná-las deveremos deixar um “ar” em cada quadro (ou plano) na direção para onde elas olham ou outro personagem fala. Isso vai melhorar o seu quadro e ajudar o corte na edição destas imagens. Caso a pessoa esteja no centro do quadro equilibre o “ar” nas laterais do quadro.

 

E por fim, mais uma dica. Caso você acompanhe um personagem que vem em sua direção num quadro fechado (Plano Americano ou Close Up frontal) você deve prever um pequeno “ar” no alto do quadro e compensá-lo progressivamente num tilt pois o personagem vai crescer em quadro. O inverso também é verdadeiro quando ele se afasta da câmara.

 

Bom, falei demais mas prometo selecionar mais umas dessas observações que normalmente uso nos meus cursos para vocês lerem e refletirem. The End. Fad out. Volto já. Passe adiante, compartilhe… O saber sempre deve ser de todos. Abraços cinematográficos.

 

Jorge Monclar – Diretor de Fotografia

 

Este artigo foi retirado do site oficial a Academia Internacional de Cinema e Televisão, Rio de Janeiro.

www.aictv.com.br

Você sabe usar bem a sua Câmara?

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