30 de novembro de 2016 - Escrito por Cláudio Almeida

Para algumas pessoas a montagem e a edição é a mesma coisa. Eu prefiro, se me permitem, separar as duas. Considero a edição algo mais complexo que a montagem. A montagem, para mim, é uma etapa da edição. Além desta etapa, na edição, temos toda a sonoplastia que no final faz um todo. Portanto a edição é o aglomerado que inclui a montagem, a composição musical, a captação de sons ambientes, a colorização, entre outros. Mas hoje ficarei apenas pela montagem. Falarei numa outra oportunidade sobre as outras etapas da edição cinematográfica.

 

Os primeiros filmes não tinham montagem, eram todos gravados em um único plano. O suporte de gravação apenas permitia a captação de imagens de curta duração, pouco mais de 1 minuto. Acabava a bobina, acabava o filme. Isto acontecia por que além da curta duração de gravação do suporte, existia também a limitação da tecnologia ótica, pois ainda era muito embrionária.

 

Recentemente escrevi um post sobre os pais do cinema, os irmãos Auguste e Louis Lumière, e os seus filmes. Se os primeiros filmes dos irmãos Lumière levaram ao nascimento do cinema, podemos, igualmente, afirmar que um dos seus filmes – Démolition d’un mur – foi o atear do rastinho da história da montagem cinematográfica. Apesar desse filme ainda não ter uma montagem complexa, como existe no século XXI, é considerado o embrião deste processo.

No filme, vemos um muro a ser demolido e, depois de uns segundos de ecrã preto, esse muro é totalmente reconstruído diante dos nossos olhos. É a primeira vez que dois blocos de sentidos opostos são aglutinados e, apesar de se tratar do mesmo plano que passa repetido duas vezes, o vínculo lógico entre duas imagens está estabelecido.

 

Apesar dos filmes, dessa época, serem composto num único plano fixo, eram também extenuadamente montados, pois, não havia necessidade em mexer com a parte física que implicaria o processo de emendar as partes da película.

 

Além dos irmãos Lumière outro ícone da história da montagem foi Georges Méliès. Era um virtuoso ilusionista francês de sucesso que usava o corte e a dupla exposição para criar efeitos mágicos e criar mundos fantásticos. As pessoas apareciam do nada, desapareciam, cresciam assustadoramente aos nossos olhos, mas mesmo assim todas as imagens captadas eram sempre em um plano, em plano fixo.

 

É com estes primeiros filmes que surge o ato físico da montagem, por outras palavras, o processo de corte e cola da película de filme. Mas ainda faltava um longo caminho a percorrer até ser possível existir algo mais próximo da realidade dos nossos dias. Faltava o sentido lógico da montagem. Que consiste na utilização das diferentes distâncias, posições e movimentos de câmara que permite filmar acontecimentos e pessoas em diversas posições e ângulos.

 

Mas se o ato físico da montagem nasce com uma certa naturalidade no cinema, como já verificámos, o mesmo não acontece com o ato lógico da montagem. Este teve vários intervenientes ao longo da sua história. Mas deles falarei no meu próximo post.

A Evolução da Montagem – 1ª Parte

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